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V - Dos doutores e do seu ofício, e das escolas

V - Dos doutores e do seu ofício, e das escolas

O Segundo Livro de Disciplina da Igreja da Escócia (1578), texto completo: o primeiro tratado do governo presbiteriano, com PDF grátis

Uma das duas funções ordinárias e perpétuas que trabalham na Palavra é o ofício do doutor, que também pode ser chamado profeta, bispo, ancião, catequista, isto é, mestre do Catecismo e dos rudimentos da religião.

O seu ofício é expor simplesmente o sentido do Espírito de Deus nas Escrituras, sem as aplicações que os ministros usam, a fim de que os fiéis sejam instruídos e a sã doutrina seja ensinada, e que a pureza do Evangelho não seja corrompida pela ignorância ou por más opiniões.

Ele é diferente do pastor, não somente no nome, mas na diversidade de dons. Pois ao doutor é dada a palavra de conhecimento, para expor por ensino simples os mistérios da fé; ao pastor, o dom de sabedoria, para aplicá-los por exortação aos costumes do rebanho, conforme a ocasião o requer.

Sob o nome e ofício de doutor compreendemos também a ordem nas escolas, colégios e universidades, a qual foi de tempos em tempos cuidadosamente mantida, tanto entre os judeus e os cristãos como também entre as nações profanas.

O doutor, sendo ancião, como foi dito, deve assistir o pastor no governo da Igreja e concorrer com os anciãos, seus irmãos, em todas as assembleias, visto que a interpretação da Palavra, que é o único juiz nas matérias eclesiásticas, está confiada ao seu encargo.

Mas pregar ao povo, administrar os sacramentos e celebrar matrimônios não pertencem ao doutor, a menos que seja ordinariamente chamado de outro modo; ainda que o pastor possa ensinar nas escolas, como quem tem o dom de conhecimento, muitas vezes apto para esse fim, como testificam os exemplos de Policarpo e de outros; etc.